sábado, 20 de maio de 2000

Brasil: 500 anos das mesmas elites?


Tem feito parte do senso comum mais recente analisar pseudo-historicamente os 500 anos (da Descoberta ou Posse) do Brasil, sintetizando nossa riquíssima e, por vezes, gloriosíssima História pátria na seguinte frase: "O Brasil é o que é - em referência aos nossos atuais problemas políticos, econômicos e sociais que são, evidentemente, de ordem macroscópica - por causa da Colonização portuguesa e de sua continuação histórica: são 500 anos das mesmas elites nos governando!" (1).
Ao que se deve perguntar: será que isto é fato?

É nosso intuito aqui tentar esclarecer que não. E isto por vários fatores, sobretudo aqueles que se referem à gigantesca obra de nossa Monarquia nacional, de nosso Império.

Em primeiro lugar, considere-se o quanto é ultrapassada a utilização de afirmações de cunho historiográfico marxista para definir as Colonizações européias na América. Só daí já notaremos alguma espécie de reducionismo na afirmação de "500 anos das mesmas elites", pois a ótica na análise dessas "elites" é pura e simplesmente econômica. Nela sequer se cogitam valores interpretativos relacionados à Moral e à Religião, por exemplo. Como, graças a Deus, a atual historiografia se dedica imensamente à questão do imaginário e das mentalidades - onde a Religião tem papel psicossocial preponderante -, tal teorização acerca das "elites brasileiras" já parece absurda. Mas por que?

Explica-se.

Segundo nos alerta o renomado historiador português Prof. Dr. Joaquim Romero Magalhães, em entrevista concedida à Folha de São Paulo, em 10 de abril p.p. (2), por ocasião das comemorações dos 500 Anos do Brasil, ao ser questionado sobre qual é a síntese do legado português na História do Brasil: "Nenhuma colonização pode ser reduzida a um rol de crimes, mas nenhuma colonização é boa. A síntese do legado português no Brasil é a unidade do território, que nunca chegou à ruptura. A unidade que leva a que a língua seja a mesma, que nem sequer variações dialetais tenha. Disso, nós portugueses devemos nos honrar muito."

Ter percepção de que as Colonizações se constituem numa amálgama de processos culturais assimilatórios e formadores de novas identidades já é, portanto, o início do que se deve proceder quando de uma análise histórica, em nossa opinião, tendo em vista algo como uma EFEMÉRIDE NACIONAL. Fazer das comemorações festivas oportunidade de disfarce e escamoteamento dos problemas que esses mesmos processos acarretaram no decorrer dos séculos e mesmo considerá-los superados é, também evidentemente, vexatório (3). Contudo, centrar-se neles quase que com desespero e lamentações sado-masoquistas por certo não leva a lugar algum (4). O que se pode é constantemente buscar a sublimação desses problemas, e, sempre que se torne possível, a solução para aqueles que se apresentarem menos embaraçosos.

Mas retornando às famigeradas "elites", o que se pode dizer delas nestes 500 anos de Brasil? Que não são as mesmas, de jeito nenhum!!!

Se o Brasil-Colônia viu nos chamados homens bons (proprietários rurais que representavam seus interesses nas câmaras regionais), que compunham a chamada açucarocracia, conceito ultimamente inaugurado na historiografia pelo historiador Prof. Evaldo Cabral de Mello (5), os detentores do poder econômico, certamente também sentiu o peso do monopólio comercial com a Metrópole; sinal de que os "homens bons" não eram tão poderosos assim... Outra análise: se eles eram os grandes proprietários de "terras e de escravos", os homens fortes da época, pode-se concluir que o sentimento de dominação imperante era o despótico; contudo é tanto a Antropologia quanto a Sociologia que nos relembram das chamadas "lógicas relacionais" existentes entre as pessoas e as classes. É um de seus maiores expoentes entre nós, Gilberto Freyre - cujo centenário está se comemorando -, recordemo-nos, quem assim nos transmite, sobretudo em Casa-grande e Senzala.

Que o despotismo existia e era amplamente praticado, isto está fora de cogitação, porém deixar de se enxergar que o paternalismo também era tão fundamental quanto o primeiro sistema nas lógicas relacionais é, no mínimo, desprezar a religiosidade extremada tão característica destes mesmos homens e mentalidades.

Se esses "homens bons" não eram assim "tão bons" não nos compete julgar. O que importa é que foi de sua classe que provieram as famílias aristocráticas brasileiras. Foi deles que proveio, só para bem exemplificar na tônica que estamos realçando, aquele que pode ainda ser tido como o primeiro santo canonizado pela Igreja Católica nascido no Brasil: o Beato Frei Antonio de Sant'anna Galvão.

Foi sobretudo dos representantes dessas classes que saíram os nossos deputados nas Cortes de Lisboa e diplomatas, no período anterior e posterior à Independência, que tão sabiamente souberam conduzir o nosso processo de reconhecimento da Soberania nacional. Eram descendentes dos "homens bons" - quando não da própria Nobreza portuguesa - os Lima e Silva, os Andrada e Silva, os Nabuco de Araújo, os Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, os Carneiro Leão, os Osório, os Paranhos do Rio Branco, etc., enfim TODAS AS ILUSTRÍSSIMAS ESTIRPES QUE AUXILIARAM NOSSOS IMPERADORES A FAZER O BRASIL. Foi dessa grei que saiu a quase totalidade dos titulares do Império; foram eles os membros da Nobreza do Brasil. Comparar tais elites às que nós temos hoje é quase repugnante aos olhos de um historiador sério, preocupado com uma História total e não parcial, ou "economicocêntrica". Chamar tais aristocratas de "despóticos representantes do poder agrário" é cometer o enorme pecado historiográfico do anacronismo. E isto porque ao fazê-lo está se enxergando, em verdade, uma época que sucedeu ao Brasil-Império em nossa História nacional: o BRASIL-REPÚBLICA.
Desprezar o fato de que a República nos foi perpetrada precisamente pelos representantes de uma elite, sim, mas de uma elite já oligarquizada - lembremo-nos de que a OLIGARQUIA é a corrupção da ARISTOCRACIA, em Aristóteles e Políbio -, de aspirações pouco escrupulosas e não atentar que são os seus representantes, em maior ou menor medida, os que ainda se mantém no poder há mais de 100 anos, é consideravelmente "criminoso" para a memória nacional.

Fatos sempre falam melhor por si só do que qualquer outra explanação. Assim, recordar que o nosso atual Presidente da República é neto de um dos militares mais exaltados do golpe de 1889 (6) - ainda que sem nenhum demérito para sua figura de pessoa e intelectual reconhecido -, que chegou mesmo a propor o fuzilamento de Dom Pedro II, sendo rechaçado pelo seu extremismo pelos próprios colegas de farda é, diríamos, no mínimo, elucidativo. Os exemplos poderiam se multiplicar às centenas, mas pode-se resumir nosso pensamento afirmando que as famílias nobres brasileiras vivem atualmente, em sua grande maioria, desprovidas de fortunas financeiras, algumas inclusive conhecendo a pobreza mais aviltante. Logo, afirmá-las detentoras de algum poder de mando no Brasil é, além de anacrônico, equivocado.

Evidente que o 15 de novembro de 1889 significa para a História do Brasil um marco divisório das lógicas relacionais entre senhores e escravos, pode-se dizer, ainda que somente como forma de expressão, entre "nobres e plebeus". Pois a República brasileira é filha de várias realidades humanas: do machismo de muitos políticos e militares inconformados com o futuro III Reinado, de Dona Isabel I; do racismo de muitos senhores de escravos menos piedosos, irritados com o ato de equiparação social que a Lei Áurea representou; em resumo, da sede de poder incontrolável de muitos homens desses dois campos. Uma vez banido definitivamente do Brasil o Poder Moderador, o Monarca, o Imperador, tudo se tornara mais fácil ao arrivismo destes pouco honrosos senhores. Muitos deles, sim, infelizmente representantes da descendência dos "homens bons" e, portanto, nobres e aristocratas brasileiros, corrompidos pela ganância e pelas "ilusões americanas", como diria Eduardo Prado.

E tudo isso, reparem, é só uma parte de nossa argumentação. Pois também é óbvio que temos em mente não ter sido o Império um "mar de rosas". Aliás, em nossa opinião, nunca, nada, o será. A questão é que na Monarquia as ambições pessoais e os interesses particulares foram - e ainda o são nos países que gozam dessa forma de governo - sempre sobrepujados pelos altos interesses da Nação. Se, portanto, houve políticos ambiciosos no Império, e certamente deles houve, não foram eles que "nos governaram". O sistema impedia que eles ascendessem de maneira avassaladora e provocassem danos irremediáveis. O Imperador tolhia suas ações desproporcionadas...

Não foi o próprio Ruy Barbosa, arrependido, quem constatou o "triunfo das nulidades" e o "arregimentar de poderes nas mãos dos maus" e a isso deu o nome de OBRA DA REPÚBLICA? Não foi Monteiro Lobato quem argüiu, já na terceira década da República brasileira, ser ela a "era das trevas" comparada à "época de ouro", que foi o Império. E observem que ambas as personagens históricas podem ser classificadas como tudo, menos... MONARQUISTAS. O primeiro era mais civilista e legalista que qualquer outra pessoa e se o status quo brasileiro era republicano, ele o aceitava plenamente, querendo inclusive... ser o Presidente da República. O segundo, quase pró-socialista, não enxergava necessariamente na Monarquia a grandeza do Brasil-Império, mas sim na figura austera e filosofal de Dom Pedro II. O Imperador e seu "lápis fatídico" eram os ídolos desse genial literato brasileiro de princípios do século XX; século esse, sim, que faria do Brasil, econômica, política e socialmente, para nossa grande tristeza, o que ele é hoje.

Não nos enganemos! Não nos deixemos levar por considerações simplistas como as de que o Brasil é fruto de "500 anos de poder das mesmas elites". Isso é falso! É hipócrita! É o tipo de argumento que faz dos "João Alves", dos "Sete Anões do Orçamento", dos "PC Farias", figuras do Brasil de sempre, e isso não é verdade! Se tantos afirmam que o Brasil-Império foi "uma escola de Estadistas" é porque alguma coisa havia lá que fazia a diferença...

Não se deixem, sobretudo os intelectuais esquerdistas, cegar pela miopia de compreender tão perfeitamente que "um escravo valia mais no passado para um senhor do que um trabalhador vale hoje para o patrão", sem notar que a diferença reside exatamente aí: na MONARQUIA, no princípio da existência de um SOBERANO, que etimologicamente quer dizer "alguém acima de tudo".

Não nos isolemos. Olhemos à nossa volta. Ao acaso os tão-colônia-quanto-nós Austrália, Canadá ou Nova Zelândia se mantiveram "coloniais", "atrasados", "subdesenvolvidos"? Sidney, a "Cidade-Presídio" do Império britânico do século XIX, não sediará as Olimpíadas de 2000?

São afirmações como essas, de que o Brasil é domínio de uma mesma elite há 500 anos, que certamente devem fazer com que as almas de nossos Imperadores, sobretudo o Senhor Dom Pedro II, não encontrem paz definitiva. Afinal, quando se "realizará a Justiça de Deus na voz da História", como ele mesmo profetizou?

Segundo nós, MONARQUISTAS, neste portentoso século XXI!

Dentro em breve descobriremos, nós e muitos outros povos, o quanto nos legaram à orfandade as Repúblicas e suas pseudo-Democracias. Até lá, e enquanto esses dias de "honra e glória" não chegam, comemoremos, sim, os nossos 500 ANOS DE BRASIL!!!


***************************
 
NOTAS

1) Este pensamento subjaz, por exemplo, sem que se apresente claramente expressado, em matéria do Jornal do Brasil, de 22 de abril, intitulada "Elite comanda o país há 5 séculos" (cf. p. 3, Caderno POLÍTICA). Ali, se lê assim: "Nos mais de três séculos da Colônia, o poder era exercido apenas pelos brancos que possuíam terras e escravaria, nas câmaras dos homens bons. Com a Independência, o Brasil tornou-se Império e ganhou Legislativo nacional, onde a prioridade continuou sendo dos representantes do poder agrário. Passados 111 anos desde o advento da República, a elite econômica urbanizou-se mas não largou o comando..." (voltar)

2) Cf. Folha de São Paulo, Caderno BRASIL, p. 12. (voltar)

3) Tal processo é comum, dizem os setores esquerdizados de nossa sociedade, da "direita" que se locupleteia do poder. (voltar)

4) Já este processo é facilmente identificável na postura de nossas "esquerdas" intelectualizadas. (voltar)

5) Cf. Rubro Veio: O imaginário da Restauração pernambucana, 2ª edição, São Paulo, Ed. Topbooks, 1992. (voltar)

6) Trata-se do Tenente Joaquim Cardoso que, conforme noticia O Globo, de 18.1.2000, participara da junta militar liderada pelo Major Solón Ribeiro, que fora entregar à Família Imperial a mensagem de banimento. (voltar)


domingo, 1 de agosto de 1999

Mariae-Gloria, Princesa Mãe de Thurn-e-Taxis

S.A.S. a Princesa Mãe de Thurn-e-Taxis, nascida S.A.Il. Mariae-Gloria Ferdinanda Joachina Josephine Wilhelmine Huberta, Condessa Principesca e Senhora de Schönburg-Glauchau - em Al., Ihrer Erlaucht Mariae-Gloria, Gräfin und Herrin von Schönburg-Glauchau -, veio ao mundo em Stuttgart-Degerloch, em 23 de fevereiro de 1960.


A Princesa Gloria pertence a uma das dezenas de Linhagens Soberanas germânicas mediatizadas (1), portanto, àquilo que costumamos designar Média Realeza.


É a segunda filha e gênito de S.A.Il. Joachim (*1929 †1999), Conde Titular e Senhor de Schönburg, Conde Titular e Senhor de Glauchau e Waldenburg, Senhor de Rochsburg, de Penig, de Wechselburg e de Remse, filho de S.A.Il. o Conde Titular Carl de Schönburg-Glauchau (*1899 †1945) e de S.A.Il. e E. a Condessa Titular, nascida Condessa Maria Anna de Baworow-Baworowska (*1902 †1988), da Nobreza Polonesa.


A mãe da Princesa Gloria é a atual Condessa Mãe de Schönburg-Glauchau, nascida Condessa Beatrix Széchenyi de Sárvár e Felsövidék (*1930), filha de S.E. o Conde Titular Bálint Széchenyi de Sárvár e Felsövidék, de secular Nobreza da Hungria e de S.A. e E. a Condessa Titular, nascida Princesa Maria Pavlovna Galitzine.


Os pais da Princesa Gloria são divorciados civilmente desde 1986; ele uniu-se à Srta. Ursula Zwicker, em 1987, tendo tido dela uma filha. A Condessa Beatrix vive em Munique.


O falecido pai da Princesa habitava o Castelo de Rochsburg, lar ancestral da Família, recuperado após a Reunificação Alemã. Com o falecimento do Conde Joachim, em princípios do ano, assumiu a Chefia da Casa Condal Principesca de Schönburg-Glauchau seu segundo filho, o Conde Hereditário Alexander (*1969) - o filho mais velho, o Conde Carl Alban (*1966), havia renunciado aos seus direitos por ocasião de seu consórcio não dinástico, em 1995, com a Srta. Juliet Fowler (*1966), de quem tem dois filhos.


S.A.Il. o Conde Titular Alexander de Schönburg-Glauchau é ainda solteiro. Bem como seu falecido Pai, também é formado em Jornalismo.


A Princesa Gloria tem ainda uma irmã mais velha, a Condessa Maria-Felicitas (Maya) (*1958), que é divorciada e mãe de dois filhos do Sr. Friedrich Christian Flick, industrial alemão.


O Conde Titular de Schönburg-Glauchau é Chefe do segundo Ramo Condal da Casa Principesca de Schönburg, uma Dinastia alemã que remonta ao século XII, sendo proveniente da Francônia e da Turíngia. Importantes senhores feudais alemães, foram feitos Condes do Sacro Império Romano-Germânico em 1700. Mediatizados, foram posteriormente agraciados com dois lugares na antiga Câmara Alta do Reino da Saxônia, em 1831.


Os dois Ramos Principescos da Família são o primogênito, Schönburg-Waldenburg - cujo personagem de maior destaque na História da Europa foi a Princesa Sophie (*1885 †1936), que em 1914 viu seu esposo, o Príncipe Wilhelm de Wied (*1876 †1945) aceitar a Coroa do recentemente criado Principado da Albânia, o que fez do casal Príncipe e Princesa Reinantes da Albânia, situação alterada rapidamente com a intervenção das grandes potências, receosos da presença de uma Dinastia protestante em meio a um povo de maioria muçulmana (2) - e o secundogênito, Schönburg-Hartenstein. Ambos são luteranos; aliás, só mesmo o Ramo da Princesa Gloria manteve-se católico entre os Schönburg.


O pai da Princesa Gloria era Cavaleiro Bailio da Soberana Ordem Militar e Hospitaleira de São João de Jerusalém, dita Ordem de Malta.


Como as terras da Família eram confiscadas pelo regime comunista da Alemanha Oriental, a Princesa Gloria não teve, apesar de seus muitos títulos e prerrogativas principescas, uma infância de "conto de fadas". O mundo encantado ela só iria mesmo vir a conhecer enquanto "Cinderela" após contrair suas núpcias com um riquíssimo Príncipe germânico, o Titular da Casa de Thurn-e-Taxis.


A Casa Principesca de Thurn-e-Taxis é mundialmente célebre devido à função que exercia no interior do Sacro Império: os correios da época. Linhagem lombarda, os Tasso, cujos ramos atualmente são numerosos, também remontam ao século XII.


Os Thurn-e-Taxis especificamente - junção de um ramo dos Condes de Thurn-e-Valsássina com os Tasso austríacos (Taxis) - adquiriram fortuna e fama com as atividades postais, chegando a receber do Sacro Imperador o título de Grão-Mestres Hereditários dos Serviços Postais do Império, em 1615. Em 1695, foram feitos Príncipes do Sacro Império, por mercê de Sua Majestade Cesária o Senhor Leopold I.


Em 31 de maio de 1980, casavam-se no Castelo de Emmeramsplatz, na Cidade de Regensburg, o 11º Príncipe Titular de Thurn-e-Taxis, S.A.S. o Senhor Johannes (*1926 †1990), e a Condessa Principesca Gloria de Schönburg-Glauchau, primos distantes.


O Príncipe Johannes era filho de S.A.S. o Príncipe Titular Karl August (*1898 †1982) e de S.A.R. e S. a Princesa Titular, nascida Infanta Dona Maria Anna de Portugal (*1899 †1971), Princesa de Bragança, neta de El-Rei Dom Miguel I de Portugal e, portanto, Sobrinha-neta de nosso Imperador Senhor Dom Pedro I.


O Príncipe e a Princesa Titulares de Thurn-e-Taxis tiveram três filhos: a Princesa Maria Theresia, em 1980; a Princesa Elisabeth, em 1982 e o esperado Príncipe Hereditário Albert, em 1983.

Falecido em avançada idade o Príncipe Karl August em 1982, assumiu o título e a fortuna da Casa Principesca de Thurn-e-Taxis - a Dinastia mediatizada mais rica da Europa - o Príncipe Johannes.

Morto o Príncipe em 1990, herdou o título e as possessões o Principezinho Albert, de apenas 7 anos à época, fazendo dele o mais novo Titular de uma Casa Principesca européia.


A Princesa Gloria, que tornou-se a Princesa Mãe - os franceses usam mais correntemente a fórmula Princesse Douairière, que os ingleses costumam traduzir como Princess Dowager; nós, no entanto, preferimos o adjetivo Mãe, mais correto - de Thurn-e-Taxis, administra em nome do jovem Príncipe Titular, agora já com 16 anos, o patrimônio da Família, um pouco dilapidado nos últimos tempos por algumas crises financeiras, que todavia continua invejável no seio da Realeza e da Nobreza da Europa.

 
**************************

NOTAS
 
1) Mediatização é o termo criado para explicar o processo por que passaram as Casas Soberanas germânicas (cerca de cento e vinte), pertencentes ao Sacro Império, que foram despojadas por Napoléon Bonaparte, o autodenominado Imperador dos Franceses, de sua antiga suserania, ou seja, deixaram de ser territórios imediatos do Poder Imperial e adquiriram um status mediato - daí a expressão mediatização - em relação a novos Soberanos, que não o do Sacro Império, pois este foi "dissolvido" pelo Corso em 1806. As Casas mediatizadas conseguiram obter do Congresso de Viena (1815) o reconhecimento de igualdade (em Fr. égalité de naissance) em relação às outras Dinastias Reinantes; segundo inúmeros genealogistas, essas Famílias foram verdadeiras reservas para fins matrimoniais durante o séc. XIX aos Príncipes não desejosos de perder seus direitos dinásticos, já que todas as Famílias Reais não permitiam à época o que se chama mésalliance, ou aliança desigual. (voltar)


2) Mais tarde, a Albânia seria uma Monarquia muçulmana com a ascensão do Bei de Mati, Ahmed Zogu, como Rei Zog I dos Albaneses, em 1928.(voltar)

terça-feira, 1 de dezembro de 1998

Descendência de Dom Pedro II, Imperador do Brasil

DESCENDÊNCIA PRIMOGÊNITA DE SUA MAJESTADE IMPERIAL
O AUGUSTO SENHOR DOM PEDRO II, IMPERADOR DO BRASIL



(Resumo do trabalho genealógico
Descendência Primogênita do Imperador Senhor D. Pedro II
)

S.M.I. o Augusto Senhor D. Pedro II (nascido S.A.I.R. o Príncipe D. Pedro de Alcantara do Brasil, Príncipe de Bragança), Príncipe Imperial do Brasil (1) (1825-1831), 2º Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, nasceu na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, a 2 de dezembro de 1825, e faleceu exilado, em Paris, França, a 5 de dezembro de 1891.

Era o sétimo gênito, terceiro varão, de SS.MM.II. o Augusto Senhor D. Pedro I (*1798 †1834) (nascido S.A.R. o Infante D. Pedro de Alcantara de Portugal, Príncipe de Bragança e, depois, Príncipe da Beira - título que cabia ao filho mais velho do Herdeiro do Trono português - e Príncipe Real e Regente do Reino Unido de Portugal, do Brasil e dos Algarves), 1º Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil e a Augusta Senhora D. Maria Leopoldina (*1797 †1825) (nascida S.A.I.R.D. a Princesa Imperial e Arquiduquesa Leopoldine da Áustria, Princesa Real da Hungria e da Bohêmia, Princesa Ducal de Lorena e de Bar, Princesa de Habsburgo-Lorena), 1ª Imperatriz Consorte do Brasil.

O Príncipe Imperial D. Pedro de Alcantara tornou-se Imperador do Brasil em 7 de abril de 1831, pela abdicação do Pai em seu favor. Tendo se alçado ao Trono com somente cinco anos e quatro meses de idade, educou-se sob a tutoria primeiro do Senhor José Bonifácio de Andrada e Silva e depois, do Senhor Marquês de Itanhahém, enquanto o Império vivia sob as Regências: Trina Provisória, Trina Permanente, do Senhor Padre Diogo Antonio Feijó e do Senhor Pedro de Araújo Lima (futuro Marquês de Olinda), até sua maioridade antecipada em 23 de julho de 1840. Coroado a 18 de julho de 1841, portanto aos quinze anos de idade, iniciou seu reinado já na tentativa de equilibrar o País, após o decurso de tantas pequenas e médias revoluções no Período Regencial.

Casou, por procuração, em Nápoles, então capital do Reino das Duas Sicílias, em 1843, com sua prima-segunda, S.A.R. a Princesa D. Teresa Cristina das Duas Sicílias, Princesa de Bourbon(-Anjou), nascida em 1822, e falecida no exílio, no Porto, Portugal, em dezembro de 1889. Era filha do Rei Senhor D. Francesco I das Duas Sicílias e da Rainha-Consorte Senhora D. Maria Isabel, nascida Infanta de Espanha e Princesa de Bourbon(-Anjou).
D. Teresa Cristina era sobrinha de D. Carlota Joaquina.

Deste consórcio, nasceram quatro filhos (Príncipes do Brasil e Príncipes de Bragança): SS.AA.II.RR. o Senhor D. Affonso Pedro (*1845 †1847), Príncipe Imperial do Brasil (1845-47); a Senhora D. Isabel Christina (*1846 †1921), Princesa Imperial do Brasil (1847-48 e 1850-1891); a Princesa D. Leopoldina Thereza (*1847 †1871), e o Senhor D. Pedro Affonso (*1848 †1850), Príncipe Imperial do Brasil (1848-50). Somente as Princesas sobreviveram, esse o motivo de D. Isabel ter se tornado a Herdeira da Coroa.

D. Isabel e D. Leopoldina casaram-se ambas em 1864, com dois primos-irmãos, S.A.R. o Príncipe Gaston de Orleans (*1842 †1922), Conde d'Eu e S.A.D. o Príncipe Ludwig August de Saxe-Coburgo-Gotha (*1845 †1907), Duque na (de) Saxônia (Saxe).
Da descendência da mais velha, que forma as atuais Casa Imperial do Brasil e Casa Principesca de Orleans e Bragança, se falará abaixo; da união de D. Leopoldina com o Príncipe Ludwig August - Luís Augusto -, que foi Almirante da Marinha Brasileira, nasceram também quatro filhos: Pedro Augusto (*1866 †1932), Augusto Leopoldo (*1867 †1923), Fernando José (*1869 †1888) e Ludwig Gaston - Luís Gastão - (*1870 †1942), Príncipes de Saxe-Coburgo-Gotha e Duques na Saxônia. Os dois primeiros, nascidos no Rio de Janeiro, apesar de Príncipes alemães, foram Sucessíveis à nossa Coroa, em vista da aparente infertilidade da tia, até 1875. Alguns descendentes do Príncipe Augusto Leopoldo, por exemplo, têm mantido a nacionalidade brasileira e por isso, constam da Linha de Sucessão ao Trono Imperial.

A Senhora D. Isabel, Princesa de Bragança, Princesa Imperial e Regente do Brasil, nascida no Rio de Janeiro, em 29 de julho de 1846, e falecida no exílio, no Castelo de Eu, na Província da Normandia, França, aos 14 de novembro de 1921, casou-se, na Catedral Imperial do Rio, em 15 de outubro de 1864, com o Senhor Gaston, Príncipe de Orleans. Dessa união, formou-se a DINASTIA DE ORLEANS E BRAGANÇA, uma família de Príncipes com direitos tanto, e principalmente, ao Trono do Brasil, quanto ao milenar Trono da França, por tratarem-se os Orléans da atual Casa Real da França.

O Casal Príncipe Imperial (e também Casal Conde d'Eu) teve três filhos (Príncipes do Brasil e Príncipes de Orleans e Bragança): SS.AA.II.RR. o Senhor D. Pedro de Alcantara (*1875 †1940), Príncipe do Grão-Pará(2) (1875-1891), Príncipe Imperial do Brasil (1891-1908, ren., 30.10.1908) e 2º Príncipe Titular de Orleans e Bragança (1922-40); o Senhor D. Luiz (*1878 †1920), Príncipe Imperial do Brasil (1908-20); e o Príncipe D. Antonio (*1881 †1918). Este último, faleceria em Londres, no término da I Guerra Mundial, em acidente de aviação.

Por ocasião do golpe de estado de 15 de novembro de 1889, que proclamou a República e exilou a Família Imperial, esta dirigiu-se a Portugal - onde veio a falecer, de desgostos, a idosa e adoentada Imperatriz -, e finalmente radicou-se em Paris, onde o Imperador faleceu, em 1891, num modesto quarto de hotel.

Com a morte do Senhor D. Pedro II, D. Isabel tornou-se Chefe da Casa Imperial e de jure 3ª Imperatriz do Brasil, e naturalmente seu primogênito, D. Pedro de Alcantara, o Príncipe Imperial. Entretanto, em 1908, após longos anos de reflexão, D. Pedro de Alcantara resolveu renunciar solenemente aos seus direitos e título na Sucessão ao Trono e à Coroa Imperiais do Brasil, no seu próprio nome e no de cada qual de seus eventuais descendentes, para poder cumprir seus desejos e unir-se matrimonialmente a uma Condessa tcheca do Império Austro-Húngaro, o que não se permite ao Herdeiro do Trono, em nossa Tradição Dinástica. Em Cannes, na presença de seus Pais e inúmeros parentes, ele renunciou aos ditos direitos e "jurou perante a Deus" manter por ele e todos os seus descendentes a confirmação desse ato.

No mesmo ano de 1908, D. Pedro de Alcantara, então apenas Príncipe Hereditário de Orleans e Bragança(3), casou-se com S.E. a Condessa Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz (*1875 †1951), nascida Baronesa, cujo pai fora elevado a Conde pelo Imperador Senhor Franz Josef I da Áustria, para diminuir a distância entre os cônjuges.

A descendência desse Casal constitui o Ramo Primogênito e Titular da Casa de Orleans e Bragança, tendo todos a dignidade de Príncipes de Orleans e Bragança e o tratamento de Altezas Reais. O Senhor D. Pedro de Alcantara e a Senhora D. Elisabeth tiveram cinco filhos:
S.A.R. a Princesa D. Isabel (*1911), que casou-se em 1931, com o primo, S.A.R. o Príncipe Senhor Henri (*1908 †1999), Chefe da Casa Real da França, Conde de Paris, de jure Henri VI, Rei da França. Tiveram onze filhos, Príncipes da França e Príncipes de (Bourbon-)Orleans. A Princesa escreveu vários livros, alguns dos quais contam, em detalhes, a saga de nossa Família Imperial no exílio.
S.A.R. o Príncipe Senhor D. Pedro Gastão (*1913), 3º Príncipe Titular de Orleans e Bragança, Primogênito do Brasil.
O Senhor D. Pedro Gastão, residente no Palácio do Grão-Pará e acionista majoritário da Companhia Imobiliária de Petrópolis, é o atual Chefe da Casa Principesca (Princeps) de Orleans e Bragança, embora desse fato não lhe advenha qualquer possível direito ao Trono do Brasil.
Casado em 1944, com S.A.R. a Princesa D. Esperanza de Bourbon(-Anjou) (*1914), da Realeza da Espanha, é pai de seis filhos: o Senhor D. Pedro Carlos (*1945), Príncipe Hereditário de Orleans e Bragança, casado e pai de dois filhos; a Princesa D. Maria da Glória (*1946), que foi esposa do Chefe da Casa Real da Iugoslávia, dele tendo três filhos e atualmente é casada com o Duque de Segorbe, da Nobreza da Espanha e tem deste dois filhos; o Príncipe D. Afonso Duarte (*1948), casado e pai de duas filhas; o Príncipe D. Manuel Álvaro (*1949), casado e pai de dois filhos; a Princesa D. Cristina (*1950), divorciada do Príncipe polonês Jan Pavel Sapieha-Rozanski e mãe de suas duas filhas; e o Príncipe D. Francisco Humberto (*1956), casado e pai de um filho.

S.A.R. a Princesa D. Maria Francisca (*1914 †1968), que casou-se em 1942, com o primo, S.A.R. o Príncipe Senhor D. Duarte Nuno (*1907 †1976), Chefe da Casa Real de Portugal e Duque de Bragança, de jure D. Duarte II, Rei de Portugal. Tiveram três filhos (Infantes de Portugal e Príncipes de Bragança): o mais velho, o Senhor D. Duarte Pio (*1945), é o atual Chefe da Casa Real de Portugal e Duque de Bragança.
S.A.R. o Príncipe D. João (*1916), que casou-se, em 1949 (div. 1971), com S.E. a Xarifa Fatma Chirine (*1923 †1990), da Nobreza do Egito, e dela teve um único Filho: o Príncipe D. João Henrique (*1954), casado e pai de dois filhos. D. João é oficial de reserva da Aeronáutica e foi um dos diretores da antiga Panair do Brasil. Seu filho, D. João Henrique, é famoso globe-trotter e especializado fotógrafo. Possuem residências no Rio e em Parati.
S.A.R. a Princesa D. Thereza (*1919), que casou-se, em 1952, com o Senhor Ernesto Martorell y Calderó (*1921 †1985) e é mãe de suas duas filhas. Reside em Portugal.
O segundo filho de D. Isabel e do Conde d'Eu, o Príncipe D. Luiz, tornou-se Príncipe Imperial do Brasil, no exílio, em 1908, após a renúncia de seu Irmão mais velho. Considerado por seu primo, o Rei Albert II dos Belgas, "homem como poucos, Príncipe como nenhum" e, por isso mesmo cognominado "Príncipe Perfeito", D. Luiz foi grande literato; sua maior obra "Sob o Cruzeiro do Sul", versava sobre a terra longínqua e inesquecível, com admirável brilhantismo. Tentou rever seu amado Brasil, mas foi impedido de desembarcar aqui, em 1909, por ordens do então Presidente Affonso Pena. Morreu em decorrência de enfermidades adquiridas no fronte, na I Guerra Mundial, onde lutou com os Aliados.

O Senhor D. Luiz casou-se, também em 1908, com sua prima-terceira, S.A.R. a Princesa D. Maria Pia das Duas Sicílias, Princesa de Bourbon(-Anjou) (*1878 †1973), e teve dela três filhos (Príncipes do Brasil e Príncipes de Orleans e Bragança), o que fez prosseguir a Dinastia Imperial: o Senhor D. Pedro Henrique (*1909 †1981), Príncipe do Grão-Pará (1909-20), Príncipe Imperial do Brasil (1920-21), Chefe da Casa Imperial e de jure Imperador Senhor D. Pedro III do Brasil (1921-81), do qual se falará abaixo; o Senhor D. Luiz Gastão (*1911 †1931), Príncipe Imperial do Brasil (1921-31), que faleceu aos vinte anos e tem fama de santidade; e a Senhora D. Pia Maria (*1913), Princesa Imperial do Brasil (1931-38), que casou-se com um nobre francês, o Conde René de Nicolaÿ (*1910 †1954), teve dele dois filhos e é sua viúva.

S.A.I.R. o Augusto Senhor D. Pedro Henrique, nascido no exílio da Família Imperial, na casa de Boulogne-sur-Seine, nos arredores de Paris, foi educado primeiramente por sua Avó e depois, por sua própria Mãe e inúmeros preceptores brasileiros, para ser Imperador do Brasil. Aos onze anos, ficou órfão de Pai e, no ano seguinte, sua veneranda Avó, a "Redentora", também faleceu, o que fez dele o nosso Imperador, de direito, no exílio, pelo fato de ser o sucessor dinástico direto de D. Isabel. Quando da revogação da Lei de Banimento, em 1920, pelo Presidente Epitácio Pessoa, ele veio com a mãe, os irmãos, os tios e primos, encabeçados pelo Senhor Conde d'Eu, conhecer seu País. Em 1922, por ocasião das comemorações do Centenário de nossa Independência, novamente a Família Imperial retornou ao solo pátrio, para aqui receber as devidas honrarias, já infelizmente sem a possibilidade de participação da Senhora D. Isabel. Aliás, nessa época, ocorreu o triste fim do Marechal Conde d'Eu, velho personagem histórico brasileiro, como herói da Guerra do Paraguai, quando estava a bordo do navio "Massília".

Retornando à Europa e concluindo seus altos estudos de Ciências Sociais e Políticas em Sorbonne, o Senhor D. Pedro Henrique contraiu núpcias, em Munique, Alemanha, Capital do antigo Reino da Baviera, em 1937, com S.A.R. a Princesa Maria da Baviera (*1914), neta do último Rei bávaro, Ludwig III. Em pouco tempo, lá estourou a II Grande Guerra, o que o impediu de retornar ao Brasil, tendo os quatro primeiros filhos do Casal Imperial nascido na França. A Princesa, que tornou-se a Augusta Senhora D. Maria, Princesa (ou Imperatriz) Consorte do Brasil, após o casamento, é a nossa atual Princesa (ou Imperatriz) Mãe.

Eles tiveram doze filhos (Príncipes do Brasil e Príncipes de Orleans e Bragança), a maioria dos quais renunciou solenemente, antes de contraírem suas núpcias, aos seus direitos e título do Brasil, para poder desposar moças que, embora advindas de famílias brasileiras das mais aristocráticas, não pertenciam à Realeza. Ainda assim, todos os descendentes legítimos e varonis desses Príncipes de Orleans e Bragança possuem essa mesma condição, além do tratamento de Altezas Reais, exatamente como os do Ramo Primogênito. Como se segue:
S.A.I.R. o Augusto Senhor D. Luiz (*1938), Príncipe Imperial do Brasil (1938-81), Chefe da Casa Imperial e de jure Imperador Senhor D. Luiz I do Brasil (1981- ). Sem aliança.
O atual Chefe da Casa Imperial, herdeiro dos direitos dinásticos ao Trono e à Coroa do Brasil é Grão-Mestre de todas as Ordens Imperiais brasileiras. É homem de cultura vastíssima e educação primorosa. Cursou Química em Munique, mas não pratica a profissão. Dedica-se integralmente ao Movimento Monárquico brasileiro. É católico fervoroso e persiste na luta de seu Pai e boa parte de seus antepassados na defesa da prática firme dos valores morais da Cristandade.
Reside em São Paulo.

S.A.I.R. o Príncipe D. Eudes (*1939), ren. 1966. É oficial de reserva da Marinha do Brasil.
Casou-se em 1967 com a Senhorita Ana Maria [de Cerqueira-César] de Moraes-Barros, tendo dela dois Filhos: SS.AA.RR. o Príncipe D. Luiz Philippe (*1969) e a Princesa D. Anna Luiza (*1971), atual Sra. Paulo Ibrahim Mansour.

S.A.I.R. o Senhor D. Bertrand (*1941), Príncipe Imperial do Brasil (1981- ). Bacharel em Direito pela USP. Sem aliança.
O Príncipe Imperial D. Bertrand assessora seu Irmão na coordenação do Movimento Monárquico, com ele partilhando dos mesmos princípios de Fé que têm mantido as Dinastias há mais de dois mil anos.
Reside em São Paulo.

S.A.I.R. a Princesa D. Isabel (*1944). Estudou Língua e Civilização Francesa e Alemã. Sem aliança. Mora com a Princesa Mãe no bairro da Lagoa, no Rio.
S.A.I.R. o Príncipe D. Pedro de Alcantara Henrique (*1945), ren. 1972. É graduado em Economia pelo Instituto Bennett.
Casou-se em 1974 com a Senhorita Maria de Fátima [de Andrada] Baptista-de-Oliveira Rocha (*1952), tendo dela cinco filhos: SS.AA.RR. a Princesa D. Maria Pia (*1975), a Princesa D. Maria Carolina (*1978), o Príncipe D. Gabriel (*1980) & as Princesinhas D. Maria de Fátima Isabel (*1988) e D. Maria Manuela (*1989). Vivem em Botafogo, no Rio.

S.A.I.R. o Príncipe D. Fernando Diniz (*1948), ren. 1975. É graduado em Economia pelo Instituto Bennett.
Casou-se em 1975 com a Senhorita Maria da Graça de Siqueira-Carvalho Baere de Araújo (*1952), tendo dela três filhas: SS.AA.RR. a Princesa D. Isabel Eleonora (*1978), a Princesa D. Maria da Glória Cristina (*1982) & a Princesinha D. Luiza Carolina (*1984). Moram no tranqüilo bairro da Urca, no Rio.

S.A.I.R. o Príncipe D. Antonio João (*1950).
O Príncipe D. Antonio João do Brasil é o herdeiro dinástico de seus dois irmãos mais velhos. Ele é engenheiro civil, graduado pela Universidade de Barra do Piraí (RJ) e exímio aquarelista - já expôs suas obras, tendo sido reconhecido pelo talento. Reside em Petrópolis, no bairro do Morin.
Casou-se, em 1981, em Beloeil, na Bélgica, com S.A. a Princesa Christine de Ligne(4) (*1955), da Família Principesca belga desse nome e teve dela quatro filhos (Príncipes do Brasil e Príncipes de Orleans e Bragança), os Herdeiros do Trono Imperial, no futuro: SS.AA.II.RR. os jovens Príncipes D. Pedro Luiz (*1983), D. Amélia (*1984) e D. Rafael Antonio (*1986) & a Princesinha D. Maria Gabriela Fernanda (*1989). Eles são respectivamente o 4º, a 6ª, o 5º e a 7ª na atual Ordem de Sucessão à Coroa.

S.A.I.R. a Princesa D. Eleonora (*1953). É licenciada em História pela PUC-Rio.
A Princesa D. Eleonora do Brasil casou-se, no mesmo ano de 1981, com o irmão mais velho da sua cunhada, a Princesa D. Christine, S.A. o Príncipe Hereditário Michel de Ligne (*1951). Eles tiveram dois filhos: a Princesa Alix-Marie de Ligne (*1984) e o Príncipe Henri-Antoine de Ligne (*1989), respectivamente a 11ª e o 10º na Linha de Sucessão, que possuem a nacionalidade brasileira, além da belga, obviamente.
Reside no Castelo de Beloeil, na Província de Hainaut, Bélgica.

S.A.I.R. o Príncipe D. Francisco (*1955), ren. 1980. É graduado em Economia pelo Instituto Bennett.
Casou-se em 1981 com a Senhorita Cláudia Regina Martins Godinho (*1954), tendo dela três filhas: SS.AA.RR. a Princesa D. Maria Elisabeth (*1982) e as Princesas gêmeas D. Maria Thereza Christina & D. Maria Eleonora (*1984). Residem no Rio, no bairro do Arpoador.

S.A.I.R. o Príncipe D. Alberto (*1957), ren. 1982. Bacharel em Direito pela UFRJ. Especialista em Assessoria Jurídica Empresarial.
Casou-se em 1983 com a Senhorita Maritza Ribas Bokel (*1961), tendo dela quatro filhos: SS.AA.RR. os jovens Príncipes D. Pedro Alberto (*1988) e D. Maria Beatriz (*1990) & os Principesinhos D. Anna Thereza (*1995) e D. Antonio Alberto (*1997). Moram no bairro do Itanhangá, no Rio.

S.A.I.R. a Princesa D. Maria Thereza (*1959), ren. 1995. É graduada em Desenho Industrial pela PUC-Rio.
Casou-se em 1995 com o Senhor Johannes Hessel de Jong (da Aristocracia holandesa) e tem dois filhos.
Reside em Tervuren, Bélgica.

S.A.I.R. a Princesa D. Maria Gabriela (*1959). É graduada em Comunicação pela PUC-Rio. Brilhante pintora, especializada em trompe-l'oeil.
Gêmea da Precedente.

 
NOTAS
1 - Título conferido pela Constituição Política do Império do Brasil ao Herdeiro Direto do Soberano. (voltar)

2 - Título conferido pela Constituição ao Primogênito do Príncipe Imperial. (voltar)

3 - A designação de "Príncipe Hereditário" aqui é parte de uma série de teorizações do Autor acerca da renovação dos títulos e tratamentos da Realeza. Deve ser interpretada tal qual "Príncipe Herdeiro", ainda que sem equiparação com os Príncipes Herdeiros de Casas Reais reinantes. (voltar)

4 - Descendente de El-Rei o Senhor D. João VI, por duas vezes, na quinta geração, por linhagem feminina, a de sua mãe, a Princesa Alix de Luxemburgo (*1929), Princesa de Parma e Princesa de Bourbon-Nassau-Weilburgo, bisneta de El-Rei o Senhor D. Miguel I e, portanto, sobrinha-bisneta do Imperador Senhor D. Pedro I. (volta)

LEGENDA
S.M.I. = Sua Majestade Imperial
SS.MM.II. = Suas Majestades Imperiais
S.A.I.R. = Sua Alteza Imperial e Real
SS.AA.II.RR. = Suas Altezas Imperiais e Reais
S.A.I.R.D. = Sua Alteza Imperial, Real e Ducal
S.A.R. = Sua Alteza Real
SS.AA.RR. = Suas Altezas Reais
S.A.D. = Sua Alteza Ducal
S.E. = Sua Excelência
de jure = de direito
ren. = renunciou em

• Este texto foi publicado na revista "Bombeiro Imperial" (Dezembro de 1998), do Grupamento Imperial D. Pedro II do
Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro
(CBMERJ)•


terça-feira, 5 de maio de 1998

Os Biron de Curlândia


A Curlândia (forma aport. do original letão Kurzeme) é uma região da Europa, na costa do Mar Báltico e limitada pelo Rio Dvina, cujo povo tem origens nacionais ancestrais datando do séc. IX, quando estabeleceu-se a primeira Monarquia (ou Aristocracia?) tribal dos curos (grupo fino-úgrico).

Em 1237, os Cavaleiros Lituanos da Ordem Teutônica - também conhecidos como Cavaleiros do Gládio -, conquistaram as terras dos curos, através de uma pequena cruzada. Em 1230, o Rei dos Curos, Lamikis, decidiu aceitar o Cristianismo, foi batizado e tornou-se vassalo imediato do Poder Papal. Os Cavaleiros, no entanto, por ordem do Bispo de Curlândia, tomaram possessão nominal sobre o País, impedindo o Rei de receber a coroa das mãos do Papa.

Em 1269, eles instituíram um feudo definitivo nas terras curas, que perdurou pelos próximos trezentos anos. No ano de 1561, os Cavaleiros Lituanos dissolveram a Ordem e agruparam a Curlândia e a Semigallia num Estado denominado Ducado de Curlândia. Seu trono foi entregue ao último Grão-Mestre da Ordem, o Cavaleiro Gotthard Kettler, iniciador da Dinastia que governaria o povo curo até o séc. XVIII.

Os Kettler - que, lembremos, são de origem germânica - desenvolveram o País, legando-lhe uma aura de prestígio que já incomodava a Rússia expansionista; não foi outra a razão de sua suserania à Polônia dos Jagellon, e, posteriormente, dos Wettin, desde a formação do Ducado. No séc. XVII, o Duque Jakob III (*1610 †1682) - casado com a Princesa Louise Charlotte de Hohenzollern (*1617 †1676), Princesa de Brandeburgo -, cujo reinado se estendeu de 1640 a 1682, fez florescer no País o progresso econômico e cultural; ampliou e modernizou a Marinha e incentivou a criação de inúmeras instituições cívicas. Chegou mesmo a tentar o estabelecimento de colônias nas Índias (Tobago) e na África (Gâmbia).

O declínio iniciou-se, porém, já no reinado de Jakob, quando, em 1658, a Suécia em guerra com a Polônia, invadiu e tomou a Capital Nacional, Ielgava (Mitau) e seqüestrou o Duque. Ao retornar, dois anos mais tarde, seu Ducado já era outro, bastante deteriorado. Seus sucessores continuaram a manter um pouco da glória passada, através de algumas honrosas uniões dinásticas, como a do Duque Friedrich Wilhelm (*1692 †1711), em 1710, com a filha do Czar Ivan V da Rússia (†1696), Anna, que ascenderia ao Trono russo, no futuro, por ocasião da morte de seu primo-sobrinho, Pedro II (*1715 †1730), o neto e sucessor de Pedro (Piotr) o Grande (*1672 †1725).

O último Duque de Curlândia da Dinastia Kettler faleceu em 1737. Por recomendação da então Imperatriz Anna da Rússia (*1693 †1740), elegeu-se o Conde Ernst Johann de Biron (*1690 †1772), seu favorito, (nascido na Curlândia, como Ernst-Johann Bühren, plebeu de origem alemã, cuja família emigrou em 1573), para ocupar o Trono Ducal.
Biron era um aventureiro que, após seduzir a sua Duquesa e posterior Imperatriz, conseguiu realizar todos os planos megalômanos imagináveis a um sem-berço, no que pode-se perfeitamente chamar de aspirações bonapartistas. De tal forma sua influência foi exercida na Rússia após a ascensão de Anna, que este período histórico costuma ser chamado de BIRONOVSCHINA.

Neto de um cavalariço do Duque Jakob, Biron estudou na Academia Militar de Königsberg e depois de ter sido expulso por má conduta e torrado suas economias na Rússia, retornou a Mitau, onde foi apresentado à Duquesa, Anna Ivannovna... Tornou-se seu amante e Conselheiro-Chefe em 1727.

Três anos a seguir, ele obteve do Sacro Império o título de Reichsgraf (Conde) e o Senhorio de Wattenberg, na Silésia. Ao subir Anna ao Trono da Rússia, no mesmo ano, ele, apesar de casado com Fräulein B. G. Trotta von Treiden, não hesitou em acompanhar a Imperatriz e iniciar seu verdadeiro "reinado" no Império dos Romanov.

Não podendo dispor de cargos administrativos oficiais por ser estrangeiro, Biron foi, no entanto agraciado com o título de Chanceler da Corte Imperial e recebeu o Estado vassalo de Wenden (atual Cesis) na Letônia. Foi o grande líder e incentivador do grupo germanófilo que dominou a Corte de Anna, desprezando a pequena Nobreza russa que, portanto, lhe dedicou ódio mortal.

Tornado Duque de Curlândia em 1737 e nomeado Regente do Império, em 1740, na menoridade do Czar Ivan VI (*1740 †1764), Imperador por um ano, sobrinho-neto de Anna e, na realidade, Príncipe de Brunswick-Wolffenbüttel - "O Trono da Rússia não é herdado, é possuído..." - o que seria, no futuro, assassinado sob as ordens de Catarina (Yekaterina) a Grande (*1729 †1796), Biron não chegou a praticar essas funções, visto que foi capturado pelo arqui-inimigo, o Conde Burkhard de Münnich, que o exilou na Sibéria. Tendo de lá escapado em 1742, ele se instalou em Yarolslav; vinte anos depois, foi anistiado e reentrou na Corte russa, por orientação de Catarina II. Esta o restaurou em Curlândia, com a força das tropas, em 1763. O País havia sido, na sua ausência, governado pelo Príncipe Karl da Saxônia (*1733 †1796), filho de Friedrich August II (*1696 †1763), Eleitor da Saxônia e III como Rei da Polônia.

Em 1769, o Duque Ernst Johann abdicou em favor de seu filho, o Duque Peter; este, por sua vez, cedeu o Ducado à Rússia, finalmente, em 1795.
 
A Família Ducal da Curlândia - cujos Membros têm sido protestantes ou católicos, conforme considerações pessoais - é conhecida sob o nome de BIRON DE CURLÂNDIA (em Fr. Biron de Courlande, em Al. Biron von Kurland) e seus títulos eram reconhecidos pelo Almanach de Gotha e o são pelo atual Genealogisches Handbüch des Adels, como parte das Realezas da Rússia e da Prússia.

O atual Chefe da Casa Biron de Curlândia é S.A.S. o Príncipe Senhor Ernst Johann (*1940), filho de S.A.S. o Príncipe Senhor Karl (*1907 †1982), e de S.A.R.S. a Princesa Herzeleide da Prússia (*1918 †1989), Princesa de Hohenzollern.

O Príncipe Karl era filho de S.A.S. o Príncipe Gustav Biron de Curlândia (*1859 †1941) e de S.E. a Nobre Françoise de Jaucourt (*1874 †1956); a falecida Princesa Herzeleide era filha de S.A.R.S. o Príncipe Oskar da Prússia (*1888 †1958) e de S.E. a Condessa Ina Maria de Bassewitz (*1888 †1973), sendo uma neta do Kaiser Wilhelm II (*1859 †1941).

Ernst Johann, Príncipe Biron de Curlândia, é casado, desde 1967, com a Condessa principesca Elisabeth de Ysenburg-Philippseich (*1941); eles não têm filhos e, por isso, adotaram duas meninas. A sucessão recairá, no futuro em seus sobrinhos, filhos do Príncipe Michaël (*1944).
 
O lema da Casa Biron de Curlândia é: Croyez Biron constant dans l'infortune.
 
 

sábado, 10 de janeiro de 1998

Liechtenstein: do principado medieval ao moderno Estado


Quando se fala em Liechtenstein, geralmente vêm à tona dois pensamentos incorretos. O primeiro e mais comum é também o mais injusto e inverídico: a afirmação de que o Principado é o paraíso fiscal da Europa; o segundo é a inexplicável idéia de defini-lo simplesmente como a fronteira entre as "famosas" Áustria e Suíça. Ambos pensamentos são falsas impressões e ofendem muito aos liechtensteinenses, pois não têm fundo real algum. No primeiro caso porque lá, assim como em qualquer outro País do mundo, há taxas e impostos - mesmo sendo fato que as empresas gozam de privilégios fiscais, o que não significa ausência total de impostos, como ocorre, por exemplo, nas Ilhas Caymam. E no segundo caso porque restringe à Nação apenas uma de suas características, descartando dessa forma a oportunidade de se conhecer detalhadamente a cultura e a História próprias desse pequeno, porém próspero, Principado, que fica no coração da Europa.

Aliás, que História fascinante tem o Liechtenstein! Esse mini-estado, que bem poderia ser denominado "o último dos Principados" - numa alusão às Monarquias que compunham tanto o I quanto o II Reich alemães, um dissolvido por Napoléon Bonaparte, que achou-se capaz de destituir o Sacro Imperador Romano-Germânico, e o outro assolado pela catastrófica I Guerra Mundial - já que seu único análogo, Mônaco, tem formação histórica totalmente diversa das suas origens teutônicas. A saga do quarto menor país do planeta (160 km2) sempre poderá ser resumida no seguinte questionamento: Por que mesmo com a deposição da Monarquia Austro-Húngara em 1919, o Principado de Liechtenstein manteve-se como Nação soberana, se sua Família Reinante era tão austríaca quanto muitas outras despojadas de seus títulos e territórios? Apesar dos historiadores creditarem à neutralidade do País na Guerra a salvação do Trono, tudo indica que a Suíça foi a fiel amiga dos liechtensteinenses nesse crucial momento.

Utilizando-se de seu peso diplomático, ela preferiu que as instituições governamentais de seu minúsculo vizinho mantivessem-se intactas, talvez para fazer dele um resquício emblemático do glorioso passado feudal europeu. Nem todo o espírito democrático suíço resistiu ao charme do Principado de Liechtenstein! A partir de 1921, foram estabelecidos vários tratados aduaneiros entre os dois países. Fatores como representação diplomática, defesa e sistema monetário seriam então realizadas pela Suíça. Um tratado postal estabeleceu, no entanto, que os selos do Principado teriam caráter nacional e seriam amplamente independentes dos suíços. É graças a esse pacto que Liechtenstein desfruta hoje de um prestígio mundial na produção de selos e estampas que fazem a alegria dos filatelistas. Há até um Museu Postal em Vaduz, onde são expostos os primeiros das incontáveis séries já lançadas no Principado.
Retornando à História do País, pode-se dizer que nos primórdios, a região foi habitada pelos celtas (cerca de 3000 A.C.). No ano 15 A.C., o Império Romano conquistou o lugar, incorporando-o à Província de Rhaetia. Os germanos só chegaram onde atualmente fica o Principado em meados do séc. IV. Com o advento do feudalismo, logo Liechtenstein também sofreu mudanças. Em 1342, houve a formação do Condado de Vaduz, resultado da divisão dos bens dos Condes de Werdenberg. O Castelo, já existente, é mencionado pela primeira vez no reinado dessa Dinastia, e torna-se a residência dos Condes de Vaduz a partir de Hartmam III. 

Durante as Guerras da Suábia e dos Trinta Anos, o Castelo foi agredido por irreparáveis danos. Somente em 1699, um Príncipe austríaco de nome Johannes Adam Andreas von Liechtenstein adquiriu o Senhorio de Schellenberg, seguido pelo Condado de Vaduz, em 1712, conseguindo fazer com que o Imperador Karl VI os elevasse à categoria de Imperial Principado, que recebe então o nome de sua Dinastia: Liechtenstein.

Após perecer em inúmeras situações críticas, como a invasão napoleônica em 1799, o país finalmente conquistou sua soberania em 1806, na Confederação do Reno. Em 1815, Liechtenstein foi incluído na Confederação Germânica, presidida pela Áustria, com a qual seus laços são ainda mais estreitados em 1852, através de um tratado de custos. O fim da Confederação, em 1866, confirma a soberania do Principado, que já possuía à época um Parlamento (Landtag), inaugurado quatro anos antes pelo Príncipe Johann II (*1858 †1929), considerado o pai do moderno estado e cognominado pelo povo de "o Bom".

Depois de Johann II, o Príncipe Reinante que mais marcou a vida e os costumes dos liechtensteinenses foi, sem sombra de dúvidas, Franz Josef II (*1906 †1989), que governou de 1938 até 1984. Esse Príncipe, além de fixar residência no País - antes dele, todos residiram no Palácio Liechtenstein, em Viena - foi o grande responsável pela enorme admiração e afeição que o povo nutre pela Monarquia, ao ponto de nenhum partido político discutir a substituição dessa forma de governo. Quando em 1938, Franz Josef assumiu o Trono, ele mandou restaurar por completo o Castelo de Vaduz, para que servisse de moradia permanente da Família Principesca. Em 1984, ele delegou seus poderes representativos ao filho mais velho, o Príncipe Hereditário Hans-Adam (*1945). Sua morte, em 13 de novembro de 1989, precedida pela de sua Esposa, a venerada Princesa Gina (*1921 †1989), em 18 de outubro, consternou de tal forma a população que ela compareceu em peso aos funerais.
O Herdeiro foi então aclamado "Sua Alteza Sereníssima Hans-Adam II, pela Graça de Deus, Príncipe Reinante de Liechtenstein, Duque de Troppau e Jägerndorff, Conde de Rietberg" e iniciou seu reinado anunciando à Nação que ela fora admitida como o 160º membro da ONU. Ele prossegue a luta de seu Pai, no sentido de reaver os bens (terras e castelos) confiscados pelos comunistas na ex-Tchecoslováquia em 1945 - trata-se de uma propriedade ancestral de 1600 km², dez vezes o tamanho do Principado, avaliada em cerca de US$ 1 bilhão.

Em 1993, o povo regozijou-se com o casamento de seu filho mais velho, o Príncipe Hereditário Aloïs (*1968), com a Princesa Sophie da Baviera, Duquesa na Baviera (*1967). Algo de místico cercou esta nobre boda, talvez pelo fato de ser a primeira vez que os liechtensteinenses viram a união de seu Príncipe Herdeiro com uma Princesa de verdade; é que tanto a atual Princesa Reinante quanto sua sogra e antecessora eram Condessas antes de se casarem. Ainda que a primeira fosse uma "Alteza" do antigo Sacro Império e a segunda nem isso, o enlace entre seu Príncipe com um membro da Casa de Wittelsbach, uma das mais antigas Dinastias Germânicas, em uma época cada vez menos comum de se assistir a tais uniões, simplesmente encantou-os. Toda a renda obtida com a venda de souvenirs do casamento foi destinada ao tratamento das crianças feridas na Guerra da ex-Iugoslávia.

No mesmo ano de 1993, ocorreram entretanto em Liechtenstein graves distúrbios políticos, ligeiramente solucionados pelo Príncipe Hans-Adam II que, exercendo o que nós chamaríamos de Poder Moderador, dissolveu o Landtag e convocou eleições gerais. A crise foi ocasionada pelas disputas dos dois principais partidos, o dos Cidadãos Progressistas e a União Patriótica. Em 1994, um plebiscito aprovou a entrada do Principado no Espaço Econômico Europeu.

No quesito cultural, não são poucas as coisas a se dizer sobre Liechtenstein. A maioria da população fala um Alemão regional, porém nas escolas - únicos centros de estudo que o País possui; ao terminarem o segundo grau, os estudantes ingressam em universidades suíças, austríacas ou mesmo americanas - ensina-se o Alemão formal (Hoher Deutsch). Triensenberg é uma exceção, pois ali fala-se um dialeto próprio, o "walseriano", herdado dos seus antepassados e tradicionalmente transmitido de geração a geração. O Catolicismo é praticado por 85% da população e ainda influencia consideravelmente o seu jeito de ser e de viver.

Dos 30.000 habitantes de Liechtenstein, 11.500 (38%) são estrangeiros suíços, alemães, austríacos e de outras nacionalidades. O povo liechtensteinense pode ser descrito como ordeiro e pacato, mas é bastante trabalhador. O Principado tem indústrias de pequeno e médio porte e são famosos pela qualidade os produtos odontológicos. Inexiste desemprego e a renda per capita é superior a US$ 30 mil.

Todos os anos são realizadas algumas festividades, alegremente celebradas pelo povo. Além do Fasnacht (Carnaval), são também feriados o 14 de fevereiro (Aniversário do Príncipe) e o 15 de agosto (Dia Nacional). Nessas ocasiões é comum se ver desfiles infantis e queima de fogos, tudo num clima muito descontraído que conta com a presença até da Família Reinante.
Geograficamente falando, Liechtenstein se divide em onze comunas, todavia na prática ele é separado em dois distritos eleitorais, o país alto - correspondente ao antigo Senhorio de Schellenberg -, que elege seus dez deputados, formado por Eschen, Gamprin, Ruggell, Mauren e Schellenberg e o país baixo - correspondente do antigo Condado de Vaduz -, que elege seus quinze deputados, formado por Balzers, Triesen, Schann, Triesenberg, Planken e Vaduz. As vilas de Planken, Triesenberg e Schellenberg ficam situadas nas montanhas.

Vaduz, a capital e centro cultural da Nação, conta com inúmeros pontos de atração turística. Afora o já citado esplendoroso Castelo, a cidade possui a bela Igreja de São Floriano, em estilo neo-gótico, erguida em 1793 pelo arquiteto Friedrich von Schmidt; próximo a ela, fica o Palácio do Governo, que abriga a Câmara dos Deputados e o gabinete do Primeiro-Ministro; entre esses locais, encontra-se o monumento ao músico e compositor Josef Gabriel Rheinberger (*1839 †1901), um liechtensteinense famoso por suas interpretações de clássicos religiosos - a casa em que nasceu é hoje a Escola Nacional de Música -; a "Casa Vermelha", com sua instigante arquitetura; o Museu Nacional, onde estão expostos alguns dos quadros da Coleção de Arte dos Príncipes de Liechtenstein, composta por dezenas de obras de pintores como Rubens, Van Dick, Franz Hals, etc., adquiridas pela Casa Principesca desde o séc. XVI e de valor incalculável.

Os outros principais pontos turísticos do Principado estão bem espalhados. Em Balzers, há o pequeno Castelo de Gutenberg e a Capela de São Pedro; em Triesen, a Capela de São Mamerto, a Reserva Ambiental Heilos e o Centro Comunitário; em Eschen, a Capela de Rofenberg e a restaurada Casa de Prebendaria, sendo esses os mais importantes.
Grande parte dos turistas - cerca de cem mil por ano - busca no País uma espécie de refúgio aconchegante, daí ter razão de existir um grande número de colônias de férias, cujas atividades estão basicamente voltadas para interesses desportivos de verão e inverno. As maiores colônias localizam-se em Malbum e Steg.

A culinária de Liechtenstein é bastante variada e inclui uma especialidade, a käsknöpfle (pequenas bolinhas feitas com massa de farinha de trigo e ovos, gratinadas com queijos azedos) e saborosos vinhos. Os restaurantes, muito finos e requintados, são considerados os melhores da região helvética.

No vale do Rio Reno, sua fronteira com a Suíça, se estabelecem oito das onze comunas; para quem aprecia longos passeios de barco e a beleza dos fabulosos castelos germânicos, esta é a melhor parte da visita ao Principado.

Enfim, se ao visitar Liechtenstein, você tiver a nítida sensação de estar pisando num pedaço do Reino da Fantasia, isto será verdadeiramente compreensível...


terça-feira, 10 de junho de 1997

L´anniversaire de l´Empereur du Brésil


Le 6 juin c'est le jour quand les monarchistes Brésiliens commemorent l'Anniversaire de leur Empereur, c'est à dire, le Chef de la Maison Impériale, Son Altesse Impériale et Royale Dom Luiz de Orleans e Bragança. Le Prince, qui est de jure "Sa Majesté Impériale Dom Luiz Ier, par la Grâce de Dieu et l'unanime acclamation des peuples, Empereur Constitutionel et Défenseur Perpétuel du Brésil", a completé sa cinquante-neuvième année.

À midi, il y a eu une Sainte Messe, celebrée en latin, à la Chapelle de Notre Dame de Gloire de la Colline (Nossa Senhora da Glória do Outeiro), à Rio. Dom Luiz était accompagné de ses Frères, S.A.I.R. Dom Bertrand, Prince Impérial du Brésil et S.A.I.R. Dom Antonio João, Prince du Brésil et 3eme dans l'Ordre de Succession au Trône, ce dernier avec son Épouse, S.A.I.R. la Princesse Dona Christine (née Princesse de Ligne) et deux de leurs Enfants, LL.AA.II.RR. les Princes Dom Pedro Luiz et Dom Rafael Antonio du Brésil. À la fin de la Messe, la Famille Impériale a reçu les compliments du peuple, des jeunes filles du Choral Meninas Cantoras de Petrópolis, qui ont chanté pendant la cérimonie, du Clergé et des membres du Mouvement Monarchique.

Le soir tombé, les monarchistes se sont adressés vers la Chambre Municipal de Rio, où il arrive toutes les années le traditionel hommage de l'Assemblée Legislative Carioca au Prince. Le Conseiller Wilson L. Passos a fait un discours parlant de l'importance de la Dynastie pour la conservation des vraies moeurs Brésiliennes; le Professeur Otto de Alencar de Sá Pereira, President du Cercle Monarchique nous a parlé sur la necessité de notre reconaissance au Chef de la Maison du Brésil en tant que l'Empereur Dom Luiz Ier. Le Prince Impérial Dom Bertrand nous a parlé surtout à l'exemple de sa belle-soeur, la Princesse Dona Christine du Brésil - qui a reçu la Médaille "Pedro Ernesto", la plus haute condécoration de la Cité, en raison de ses ouevres de charité pour les enfants - aux mères qui, selon lui, sont des " reines des foyers ". Et finalement, Dom Luiz lui-même nous a fait comprendre que les problèmes sociaux, politiques et économiques actuels de notre Pays sont-ils conséquences, de même que dans le monde entier, de la Révolution, c'est à dire l'ensemble des idées communistes, depuis le XVeme siècle.

Après l'hommage au plénier de la Chambre, il a été offert un cocktail aux personnes présentes, des amis et sujets fidèles de la Famille Impériale. D'autres Frères de Dom Luiz sont venus à cette petite soirée, comme S.A.I.R la Princesse Dona Isabel du Brésil et LL.AA.RR. le Prince Dom Fernando d'Orléans et Bragance (celui-ci accompagné de sa femme, la Princesse Dona Maria da Graça) et le Prince Dom Alberto d'Orléans et Bragance.

Au cours du cocktail, le Professeur Sá Pereira a dit à moi, à Mme Alda de São Thiago Ribeiro et à la Princesse Dona Christine que s'il avait su les couleurs de la Famille Princière de Ligne, il aurait demandé au fleuriste d'embellir le Palais Municipal avec des roses de ces couleurs (le rouge et le jaune); la Princesse lui a repondu qu'elle serait très heureuse s'il l'aurait fait.
Ce jour - consideré une fête nationale par les monarchistes Brésiliens - et la petite soirée sont finnis ensemble.

sábado, 5 de abril de 1997

República na Etiópia: um mau negócio


Até 1974, a mais antiga e uma das maiores Nações do Continente Africano era conhecida como Império da Etiópia. Localizado no chamado Chifre da África, este país constituía, sob vários aspectos, um fenômeno. Em meio às guerras sangrentas entre povos irmãos, fanatizados por religiões ou ideologias opostas, revoltas eclodindo em todos os cantos e até mesmo uma política oficial de segregação racial - o tristemente famoso apartheid - a Etiópia manteve-se como modelo político no séc. XX, gozando de considerável estabilidade e prosperidade.

Sua estrutura governamental (Monarquia temperada com elementos aristocráticos e democráticos) se aproximava muito dos moldes ocidentais, particularmente do britânico, ainda que, naturalmente, adequada ao tradicional estilo africano, isto é, resguardando a Autoridade Suprema da Nação à pessoa sacral e quase divina do Imperador. De qualquer forma, foi graças a esse governo que ela sobreviveu razoavelmente bem em nossos tão conturbados dias.

Sem sombra de dúvidas, deve-se muito deste progresso à figura de Haile Selassie I (1892-1975), o Governante que imperou na Etiópia de 1916 ao golpe militar de 1974. Foi ele quem prosseguiu a obra grandiosa de Menelik II (1844-1913), considerado o Pai da Etiópia moderna, garantindo ao povo da Tribo de Judá o mínimo aceitável de condições de vida. Atos como: a entrada do país na Sociedade das Nações (SDN) em 1923; a abolição da escravatura, em 1924 - acreditem, lá ainda existiam escravos até essa data (!) - a organização e hierarquização do sistema judiciário, em 1941 e a reconstituição do Código Penal no ano seguinte; a participação na fundação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1955 e a independência da Igreja Cristã Ortodoxa Etíope, em 1959, etc., representavam para ele a realização de seus conceitos básicos de desenvolvimento nacional.

Infelizmente, a Etiópia é bastante desprovida de recursos naturais, devido ao clima exageradamente quente, o que vem ocasionando secas avassaladoras e, consequentemente, a fome da população mais carente, desde os seus primórdios. O Imperador Haile Selassie tentava de todas as formas proteger seu povo dessas catástrofes, através de incentivos ao investimento de capitais estrangeiros e acordos internacionais de ajuda com vários países europeus. Era para isso que serviam suas viagens - tão injustamente criticadas como desnecessárias - ao exterior e convites aos Chefes de Estado para comemorações e festividades promovidas na faustosa capital do Império, Addis Abeba.

Os anos foram passando e as secas... se agravando. Na pior delas, em 1974, um bando de exaltados militares marxistas que, diga-se de passagem, eram minoria na tropa, depôs o idoso e já adoentado Monarca, então aos 82 anos!!! Este, na esperança ingênua de se tratar de uma revolução que salvaguardaria a população, resignou-se com a situação, ao ponto de implorar aos militares e súditos fiéis que não iniciassem uma contra-revolução - episódio que confirmou ao mundo sua fama de Soberano piedoso e, por vezes, bonachão. Feito prisioneiro domiciliar com todos os Membros da Família Imperial que residiam no Palácio, ele morreu no ano seguinte, provavelmente envenenado pelos ditadores instalados no governo, que trataram logo de proclamar uma república popular.

Após a ascensão do sanguinário General Mengistu ao poder, a Etiópia sofreu duros golpes, como o embargo econômico internacional imposto pelas grandes potências, além das fomes gigantescas, como a de 1983/1984, que chegou até a gerar a campanha assistencial USA for Africa, liderada pelo cantor afro-americano Michael Jackson.

Presentemente, o país vive uma situação de estagnação social, política e econômica. Quanto à Família Imperial - que, segundo a lenda etíope, é uma das Dinastias mais milenares do planeta, proveniente de uma hipotética união do Rei Salomão com a Rainha de Sabá - sabe-se que o filho e herdeiro de Haile Selassie I, o Príncipe Asfa Wossen (*1916 †1997) morreu em 17 de janeiro último, em Virgínia, EE.UU. Seu primogênito, S.A.I. Zara Yakob (*1960) é então o atual Chefe da Casa Imperial da Etiópia. Ele vive em Manchester, Inglaterra, numa comunidade de Rastafaris.

VALE PERGUNTAR: O que fez a república pela Etiópia? De que adiantou aqueles opositores ao regime "arcaico" destituírem o Imperador?
Muito pelo contrário, nós, monarquistas, pensamos que o povo etíope, bem como centenas de outros asiáticos e africanos despojados de seus Símbolos Vivos, agora não padecem somente de fome fisiológica mas também e principalmente de fome psicológica, a mais nociva e fatal...